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domingo, 13 de setembro de 2009

Poemas diversos: Maçante passagem

Maçante passagem...


...E pára o relógio
Em profundas estações
Estático, somente contando
A passagem do tempo

Relógio astuto!
Tic-tac em batidas
Sopradas ao vento
Dos sons o mais bruto

Em MHS, de lá prá cá
Indo ao mesmo lugar sempre
Mas nunca está no mesmo lugar
A ordem se inverte....

Dá para entender
Tal canto eterno?
Nem o relógio entende...
Só pode perpassar por si

E um dia acabar assim:
Passando, pois o tempo passa
E nós como massa
Só podemos passar, per-postos
Transpostos em nós mesmos

Podemos andar por aí
Mas nunca saímos do lugar
Mesmo nunca estando em lugar nenhum

O relógio (a voz da experiência)
Pode dizer tal absurdo,
O relógio é dela consequência:
Só podemos passar surdos.

Pela vida, não ouvimos
Não temos ausculta
Não tem som de som passando
Não tem tempo

O tempo só existe porque passamos
Porque as coisas passam
Porque ele é passando
E nós mergulhados nele....

Silva, Rodrigo Barbosa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma experiência inconpreensível...

Cemitério

Marasmos tomam conta
Não entendo nada
Já não estou aqui
Mas definho em lágrimas

O segredo ninguém conta
Ninguém sabe nada
Somente choram aqui
Se banhando em suas lágrimas

Quando isso acaba?
A que fim tenderemos?
Onde mais estaremos?

O silêncio não dá conta
Tudo que falo é nada
Não estando aqui
Somente dizem as lágrimas

Nossos restos, cada verme conta
Prontos a nos levar a um nada
A espera de nós, aqui
A nos tirar de nossas lágrimas

Com isso nem o verme conta:
Já somos nada
Mesmo estando aqui
Imersos em lágrimas

Onde estás, proteção?
Será que vivemos?
O que é a morte?

Vou silenciar em mente tonta
A terei sustentada
E a levarei daqui
Corroendo em minhas lástimas
Silva, Rodrigo Barbosa.

Esse poema surgiu num dia de ocasião não muito boa. Foi conseqüência de uma conversa que eu tive com meu irmão, foi nesse dia que pude ver quem ele era, pude ver os sentimentos dele aflorarem de forma incrível, as dúvidas fluírem de forma tão inocentes e verdadeiras, senti muita coisa que nunca havia sentido e com certeza ele também sentiu as mesmas coisas ou algo parecido. Acima de tudo o amor reinou, isso foi bom, não a tristeza. Mesmo que a compreesnão tenha sido jogada ao léu pelo momento em que estávamos.

Abraço a todos!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Primeiro Soneto

Soneto da pipa: O selo!

Belo desenho das pipas no céu
Desenhos em si, bruta perfeição
Linha, bambu, arte, sonho, papel
Voando em ar de imaginação

Quem me dera ter essa liberdade
Voar, voar sem me queixar da da vida
Um sonho liberado à saudade
À questão simples, à qualquer saída

Esse multi-silente movimento
Nos atrai ao infinito azulado
De nós mesmo vistos noutro momento

Um espelho estelar múltiplo e singelo
Que revelando outra faceta nossa
Nos mergulha em vigentes campos belos.
Silva, Rodrigo Barbosa.

Poema: Um relato pós almoço...

Descanso

Acabei de comer
Ainda estou com fome
Existe a laranja a ver
O seu fim no horizonte

Ritmos embalados
Por minha boca
Devoram os pedaços, coitados...
Açoites celulares

As unidades liqüefeitas
Descansam no estômago
E no meu repouso
Meu pensar as digere

Pedacinhos amarelo-laranja
Agora suco gástrico
Uréia do pâncreas
Saindo em urina

Já sinto a sonoridade
Do silêncio estomacal
As paredes remoendo
Os alimentos na helicoidal

Promessa entre fezes
Esperança em energia
E força em reserva
Silva, Rodrigo Barbosa

domingo, 9 de agosto de 2009

Quem sou eu?

Poeta(I)

Poeta,
Sou,
Calado.

De palavras
Que falam.

Reles
Navegador
poemático

De incrédulas
sapiências.

Mero
Observador
Do inobservável.

De um nada
observado.

Simples
Paz
Interior

De rara calma,
Embriaguez dilacerada.

Como
Ser
Não sendo?

De tal poesia
Harmonia falante?

Sou,
Calado,
Um poeta.

De tristes
ilusões.

Verdades
Vaidades
Paixões.

De um espanto
espantoso por si

O calado
Falado
insistiu.

De engano abastado
Quando o choro partiu.

Se o falar
fosse
ouvido...

De norte ao sul
Em todas as direções.

Chegaria,
ao tudo
esvaziado.

De quê
Saudoso poeta?

Um calado,
poeta
Sou

De poeta escravo
do chamado, que voa.

Ao infinito,
Poeta
Que vai...

De tudo
Ao nada completo.

Ninfa
Do falar
Tu és.

De canto inefável,
Inspiração.

Broto
Saído
Em falso.

De arrepio
Lacrimejado.

Feliz,
Sou
Calado

De ausculta
Que sente, sentindo.

Do final
Que se finda saindo.
Silva, Rodrigo Barbosa.

Pare de escrever!: O POEMA

Pare de escrever:
As palavras fogem da mente...
Pare de escrever:
... Se descontraem com a gente...
Pare de escrever:
...E se armam até os dentes.

Pare de escrever!
- Será que vão parar?

Pare de escrever!
Roubam as asas do intelecto...
Pare de escrever:
... Ganham vôo de desejo predileto...
Pare de escrever:
... Se espatifam em um dizer completo.

Pare de escrever!
- Se esvaziou de ar rarefeito?

Pare de escrever:
Palavras repudiam o pensar celeste...
Pare de escrever:
E desnorteiam o cantar campestre
Pare de escrever:
Ainda desafiam o monte Everest.

Pare de escrever!
Será que vou parar de NÃO escrever?

Pare de escrever:
Tais palavras invadem profundas alturas
Pare de escrever:
De um pensar de absoluta loucura
Pare de escrever:
E adentra tão lamentada bravura.

Pare de escrever!
Findou tal poeticidade?

Pare de escrever:
Palavras até fogem de mim
Pare de escrever:
E se ilimitam no pensamento
Pare de escrever:
Exclamam um sussurro, um sim
Pare de escrever:
E sorrateiras, se lançam ao vento

Pare de escrever:
Ainda continuarei não escrevendo?
Silva, Rodrigo Barbosa