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domingo, 23 de agosto de 2009

Série de Poemas: PARANÓIA(II)

PARANÓIA(II)

Calçadas amparadas
Tossiram um segredo
Um nada foi revelado
Extinguiu-se todo o medo

Latindo, o que pia falou
Saindo, o sussurro perturbou
Onde está 0 alento
Que nos olha a tempos?

Nos persegue em percalços
Nossos simples olhares.
Nos destrói os nossos passos
Em singelos pesares.

Como pode ser inconspícuo
Falando, gritando,ambíguo...
Em nossas cabeças baixas?
Medrosos, escondemos nossas caixas.

Absurdo comungador, falência...
Que nos corrói, e presos somos...
Em nós mesmos. Mecânicos. Demência!
Demência nossa. Aonde vamos?

Vamos sussurrar paciência
Cheirar abismo longícuo
da Paz inexistente, pobres?
Ou olhar a frente, iluminar os cantos
e despertar mentes dormentes?
Silva, Rodrigo Barbosa.

PARANÓIA(zero)

Quarentena

O mal pode estar
Em qualquer lugar
No poste, calçada, cadeira
Mãos, aparelhos, videira

O mal pode estar
Em qualquer lugar
Lugar em qualquer estar
Pode o mal ser o lugar

A videira dá frutos
Os frutos são colhidos
Aparelhos são astutos
Em mãos dos bem servidos

Bem servidos sentados à mesa
Numa simples cadeira
Varejo em calçada

Onde está o cão-certeza
Bem vivida brincadeira
Sortilégio à morada

Do poste profundo
Cortado ao mundo
Do espaço sem-fundo.

Pode estar sendo o lugar
O mal sendo pode
Qualquer andar, sorrir, chorar
O mal sendo pode

Escolher não ser escolhido
Escolher qualquer poste,
Cadeira, mãos, aparelhos,
videira, saúde; Silêncio!
Silva, Rodrigo Barbosa.

Esse poderia ser o quarto poema da série paranóia que estou desenvolvendo no papel, juntamente com os enígmas, cartas, textos e surpresas poéticas. Mas é um poema à parte da minha coleção e o título se encaixa melhor na ocasião da escrita do mesmo (ritmos, pensamentos, etc...), posso classificá-lo como devaneio do pensar cotidiano, talvez seja considerado poema de papel... quem sabe... Sem mais digressões, digo que este é especial, pois retrata o que nós(Paranóicos) vivemos em sociedade com essa gripe(A H1N1), e de forma abrangente pode destrinchar todas as paranóicas modinhas que aparecerem, ou que já existem. Essa foi a idéia principal, mas o poema já tem pernas e anda por si próprio e pode chegar aos mais longícuos pontos. Parece ser uma característica minha: ver um ponto partir dele, desenvolver, e não chegar a lugar nenhum, ou seja, não ter objetivo nem fim, mas chegar ao mistério e suas fantásticas manifestações...

Abraços!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Série de Poemas: PARANÓIA(I)

Este é o primeiro poema dá série de poemas: PARANÓIA. Nestes poemas retrato os enclaves fortificados (prisões) que vivemos na sociedade, tendo como principal foco um segredo.
Pergunto-lhes: Seria o medo? Nós? Os olhares dos outros? O próprio oculto? Ou nenhum dos anteriores ( se for, diga qual )?
Descubram e comentem qual a opinião de vocês...

Que comecem os jogos!


PARANÓIA (I)

Andamos loucos pela estrada,
Com medo, de tudo
Ouvimos vozes sorrateiras,
Maldosas, e cruéis.

Olhamos para trás,
Não vemos. Um nada!
Queremos correr e...
Correr, e correr, e andamos.

Muda Paranóia,
Nos ouve, mas não fala
Se cala diante de tanta...
Expressão de suor nas mãos, ... geladas

Verdade ... Sentimos mentira
E temos medo dela, cad-ela!
Porque devemos desvairar lucidez
Num deserto esperto e certeiro?

E pior! Temos medos de nós!
De nós mesmo! O que faremos?
...
Nada? Por isso temos medo.
E os nossos marasmos?
São nada também?

Que se acerque toda vaidade
Diante da ternura e se ajoelhe
Que todo medo se desespere diante da...
Força, raiz de nossos corações.
Silva, Rodrigo Barbosa.