sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Poemas diversos: Viajei...

Viajei...


Viajei...
fui aos mais longínquos horizontes
Me joguei...
ao infinito canto do meu pensar

Me tornei
louco, insensato, indiscreto,
Isolei
a verdade da verdade em suave solidão

Sou cantor,
Sou poeta
Sou ator
Sou pateta

Caio
nas fugidias mágoas sentimentais
Me esvaio
aos suaves dilúvios penais

Lacaio
Sou de meus pés andantes
Se saio
A culpa não é mais dos instantes

O tempo passa
O tempo é tempo
O tempo já basta
À viagem ao vento


Silva, Rodrigo Barbosa

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Outros poetas

Aço e fogo



















Eu o aço...
Você meu fogo,
no abraço.
Sou resistente, mas
Me derreto com seu jeito
quente
inflexível... Às vezes
com seu calor
em suas mãos,
tangível...
Viga de sustentação
Porém demolida.
O seu olhar...
amolece meu
coração!


ღRaquel Ordonesღ

Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98


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http://raquelordonesemgotas.blogspot.com/

Poemas diversos: Pirataria

PIRATARIA

Hoje em dia
O drama virou comédia
Qualquer demasia
É motivo de festa

Roubalheira no passado
Era devassidão
Hoje o que é errado
É mania em multidão

Será que estamos doentes?

Hoje em dia
O pecado é que manda
Onde está o amor?
Enfurnado às vendas?

Amor se compra?
Deve ser barato...
Vendido em qualquer qualquer
Achado em qualquer banca...

Por que dor
Rima com amor?
Deve ser o acaso
A governar tal absurdo?

O mais perverso está
No preço disso: "nada!"
Não há preço
O que há, não é!
E nem vemos isso...

Pirataria "desconhecida"
De onde isso veio?
Para onde vamos?
O não saber se torna letal

Dramático andamento
Caminho sem rumo
Vida de consumo
É verdade, consumimos amor..

Não há o que pasmar
O coração bate,
fazer o que?
Morrer por isso?

É irônico tal descuido
Não vai demorar muito
E a polícia vai prender
Quem amar, quem vender
Quem comprar, quem viver
É negócio, certo?

Não há verso que rime com isso...
Nem compreensão que pague...
Só os nossos olhos a ver tal "desgraça":
Amor à venda -> não tem preço...

Silva, Rodrigo Barbosa

Poemas diversos: Eu cresci

EU CRESCI

Não sou mais quem sou
Mas sou quem sou,
Sendo...
Como isso pode?

Era alguma coisa
Mas um dia perguntei:
Quem sou eu?
Não sei, não sei...

Como saber se nunca sou,
Mas sou?
Como isso pode?

Mudei, mudo, mudarei
Mas sempre serei
Como isso pode?

Passo no tempo
Sem entendê-lo
Como isso pode?

Loucuras à parte
Já não mais entendo
Mas tenho essência
Como isso pode?

Não era pra ser loucura
Mas um paradoxo me envolve
[Como isso pode?]:
Cresci...

Silva, Rodrigo Barbosa

Série das Óperas: Ópera do Lucro

Ópera do lucro

Surpreendente
Mas estou aqui
Sou platéia
Sou ator

Assisto, aceito
Um mundo perfeito
Ideais dos pequeninos grandalhões

Surpreendentes
Línguas soltas
Dedos doendo
De tanto apontar

A culpa é minha?

Parágrafo único:
- Todos nós devemos
esgotar-nos ao infinito
de nós mesmos: nada.

Que lei é essa?

Da oferta e da procura?
Do excesso sem censura?
Do egoísmo comunal?
De demasia atemporal?

Surpreendente...
Mar de gotas inefáveis
De prazeres incontáveis
De choros estridentes

Seria um consolo?

Acreditar que irão ler
Irão ver a vida
a ser o que é...

E...[...]

Olhe por um lado...
A culpa é sua!
É nossa!
Pois pisamos nesse chão.


Silva, Rodrigo Barbosa